A Universidade Emory, em um estudo polêmico, identificou que os valores pessoais e “sagrados”, como uma forte crença religiosa ou um código de ética e comportamento, por exemplo, são processados de forma diferenciada pelo cérebro.
Segundo a pesquisa, nestes casos o processo cognitivo é outro, uma vez que esses pensamentos ativam uma parte do cérebro associada ao que é certo e errado – e não estão ligadas às regiões que visam julgar o custo-benefício de determinadas situações.
Para chegar a esta conclusão os pesquisadores utilizaram ressonâncias magnéticas funcionais para identificar as respostas de 32 voluntários. Estes, por sua vez, foram expostos a 62 frases afirmativas que continham uma sentença contraditória, precisando escolher sempre uma em cada “dupla”.
Depois de responder a todas as orações, os participantes podiam vender as frases escolhidas por meio de um leilão, mudando de ideia simplesmente por dinheiro. Para isso, podiam ganhar até US$ 100 por sentença, bastaria assinar um documento concordando que acreditavam no oposto do que haviam afirmado anteriormente.
Por meio desse trabalho foi possível medir e identificar a integridade de afirmações específicas para cada um dos voluntários. Dessa forma, se estes recusavam o dinheiro, significava então que determinada frase era “sagrada”.
Isso gerou imagens cerebrais que mostraram a relação entre estes valores e a ativação de áreas específicas do cérebro, como a do que é certo e errado, mas não com sistemas associados a recompensas, como dinheiro, por exemplo.
Uma das áreas mais promissoras da medicina, a optogenética promete acabar com a necessidade de acessar diretamente o cérebro para tratar doenças. Usando somente a luz, esse ramo da ciência é capaz de manipular células que interferem no comportamento, garantem maior coordenação do corpo no combate a infecções ou influenciam no tratamento de problemas mentais.
Um dos principais desafios enfrentados atualmente é o tamanho dos mecanismos utilizados, que requerem lasers espaçosos e desajeitados, além de um cabo de fibra óptica ligado diretamente ao paciente para que tudo funcione da maneira desejada. Isso dificulta o avanço da área, já que as pesquisas ficam reduzidas a uma quantidade muito pequena de profissionais.
Roteador para o cérebro
Também estão sendo criados sistemas para controlar automaticamente experimentos de forma remota, o que deve ampliar o número de estudos possíveis de serem realizados.
Enquanto as técnicas tradicionais da optogenética trabalham com fontes de luz, os equipamentos desenvolvidos pela companhia apostam em LEDs e pequenos diodos de laser incorporados a um mecanismo, capaz de ser encaixado diretamente nos implantes cerebrais dos animais que servem como cobaias.
O dispositivo, que pesa somente 3 gramas, é abastecido por supercapacitores localizados próximos às áreas de teste. Também são utilizados controladores sem fio capazes de se conectar a computadores através de entradas USB. “É essencialmente um roteador para o cérebro”, explica Christian Wentz, fundador da Kendall Research Systems.
Tecnologia promissora
Wentz afirma que, embora os custos iniciais da tecnologia sejam semelhantes aos de um sistema de lasers convencional, é possível reduzir o tamanho dos aparelhos e deixá-los ainda mais baratos. A esperança é de que isso, aliado à liberdade de conduzir experimentos de forma remota, aumente substancialmente a quantidade de pesquisas realizadas.
Como a optogenética ainda é um campo de estudo relativamente novo, vai demorar um certo tempo até que sejamos capazes de tratar dores de cabeça com um simples feixe de luz. Porém, mesmo em um estágio inicial é possível ver que esse é um dos caminhos futuros para a medicina. Portanto, prepare-se: antes que você perceba, vai ter deixado de lado comprimidos e passará a modificar geneticamente seu cérebro para curar doenças
4 técnicas de lavagem cerebral que estão sendo utilizadas em você
Cuidado! Sua mente pode estar sendo manipulada e você nem fazia ideia de como isso acontece.
Você já teve a sensação de que estava tomando decisões sem realmente estar pensando? Muita gente passa por isso porque sofreu processos de Reeducação de Pensamento, mais popularmente conhecida como “Lavagem Cerebral”. Você sabe quais são as técnicas utilizadas para isso?
O Tecmundo separou quatro das principais delas, que são utilizadas até hoje por oradores de todo o planeta. Entenda melhor o funcionamento da lavagem cerebral e esteja pronto para se proteger quando alguém tentar dominar sua mente com técnicas de reprogramação.
Mensagens subliminares
Apesar de, atualmente, as mensagens subliminares serem muito relacionadas a músicas tocadas ao contrário, elas têm uma origem muito mais obscura. Em 1956, durante a projeção de um filme chamado “Picnic” (que no Brasil chegou aos cinemas batizado de “Férias de Amor”), um cinema norte-americano exibiu uma mensagem estimulando o consumo de um refrigerante em alguns quadros.
Quem estava no cinema não conseguia perceber a mensagem, mas os resultados foram surpreendentes. Segundo o site Mundo Subliminar, o aumento nas vendas do refrigerante no dia foi de 57%. Isso com apenas alguns quadros de mensagens escondidas, técnica que foi aprimorada com o tempo.
No final da década de 1990, a MTV norte-americana foi processada por utilizar algo parecido em suas propagandas. Ao mesmo tempo em que passava as vinhetas, uma série de imagens era mostrada na tela, incluindo fotografias pornográficas de meninas amarradas em alguns poucos quadros, quase imperceptíveis. Isso deixava as pessoas muito perturbadas – mais do que o normal – com as vinhetas do canal.
Nesse caso da televisão, a intenção não era vender nenhum produto, mas foi muito útil para manter as pessoas perturbadas e atraídas ao mesmo tempo. Com isso, prolongava-se o tempo que cada espectador passava com o canal sintonizado.
Repetição e reprogramação
Você conhece o ditado que diz que “uma mentira contada mil vezes se transforma em uma verdade”? Pois o cérebro humano funciona mais ou menos dessa maneira e, quando não estamos preparados, acabamos acreditando em mensagens que são repetidas inúmeras vezes, mesmo que elas não sejam as mais sinceras.
Dessa maneira, palestrantes dos mais diversos tipos conseguem fazer com que seu público seja convencido de diversas “verdades”. Essa técnica, aliada às práticas de reprogramação, pode causar muitas mudanças de comportamento e mentalidade nas pessoas que foram atingidas pela “lavagem cerebral”.
Geralmente, os oradores começam seus discursos baixando a confiança dos ouvintes, fazendo com que eles se sintam muito mal. Depois, começam a mostrar que o melhor jeito de superar os problemas relacionados aos seus erros – que acabaram de ser apontados – é seguir os passos do palestrante.
Em uma plateia com 200 pessoas, pelo menos metade se deixa levar pelas frases impactantes proferidas. Com grande frequência, as pessoas que fazem este tipo de reprogramação utilizam discursos vagos, que podem ser encaixados na vida de qualquer um. Assim, todos se sentem imersos no assunto e enxergam a salvação no orador.
Isso vale para diversas situações, sendo que as mais comuns são as ofertas de produtos. “Bons” vendedores conseguem convencer seus clientes de que eles possuem itens obsoletos e dispensáveis, sendo que somente o que eles oferecerem pode suprir todas as necessidades naquele momento.
Ritmo e progressão
Algumas das técnicas mais eficientes para reeducação de pensamento exigem a utilização de frases e sons ritmados, capazes de fazer com que os ouvintes sejam imersos na atmosfera que o orador está criando. Quanto maior a multidão, mais fácil se torna esse processo – desde que o palestrante conheça e domine as práticas utilizadas.
Músicas calmas de fundo conseguem prender a atenção das pessoas, ao mesmo tempo em que podem incitar a fúria ou a paz, dependendo da intenção dos locutores. O ritmo da fala também deve seguir alguns padrões: os palestrantes geralmente começam ternos e vão ganhando paixão com o decorrer do tempo, até chegar ao ápice. Essa progressão rítmica raramente falha em multidões.
Merchandising
A todo o momento você pode ver propagandas na televisão, sempre mostrando o quanto alguns produtos são superiores a outros. Mas você pode nem perceber que os comerciais começam antes mesmo de o intervalo ser anunciado. Em filmes e novelas, é muito comum o aparecimento de produtos de marcas famosas sendo consumidos pelos mocinhos da história.
Esse tipo de inserção costuma gerar muitos resultados para as empresas anunciantes, apesar de custar um preço bastante alto. Há estimativas de que, em horário nobre, personagens das novelas não bebem um refrigerante por menos de 500 mil reais (isso em 2002, conforme mostrado por um documento do Observatório da Imprensa).
Se o produto apenas aparecer, sem ser consumido, o valor pode cair vários milhares de reais. Por outro lado, se além de utilizado, for elogiado, o preço do anúncio gera lucros bem interessantes para a emissora responsável. E você acha que isso não influencia você de maneira nenhuma?
Então pare para pensar nos seus tempos de colégio. Quantas meninas utilizavam adornos indianos quando a Índia era tema de uma novela do horário nobre? E os meninos que tinham apelidos inspirados nos personagens de desenhos animados? É assim que acontece o estímulo ao consumo.
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Você já sentiu que estava tendo a mente modificada enquanto via televisão, ouvia rádio, participava de palestras ou navegava na internet? Pois agora você conhece algumas das principais técnicas utilizadas por oradores para conquistar públicos e vender ideias.
5 mitos sobre o cérebro que você jurava ser verdade
Chega de torturar crianças com Mozart: elas não ficarão mais inteligentes por ouvir o compositor. Confira a detonação desse e de outros mitos sobre o cérebro humano.
O cérebro humano ainda guarda muitos mistérios. Apesar de haver evidências de que o estudo do sistema nervoso existe desde o Egito Antigo, foi só com o surgimento do microscópio, em 1890, que as pesquisas sobre o cérebro passaram a ser mais sofisticadas. Muitas das descobertas que persistem ainda hoje no campo da neurociência foram realizadas a partir de 1950.
As pesquisas atuais não cansam de nos surpreender. O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, por exemplo, conseguiu “separar” a mente do corpo, fazendo com que as ondas cerebrais de um macaco nos EUA controlassem um robô no Japão.
Mas mesmo com todo o avanço, ainda há muito que descobrirmos sobre o cérebro humano. Por isso, é normal que alguns mitos sobre o funcionamento desse órgão prevaleçam na cultura popular. Sendo assim, o Tecmundo preparou uma lista com a detonação de cinco famosos equívocos sobre o cérebro que são sempre repetidos por aí. Vamos a eles!
1. “Quem usa o lado esquerdo do cérebro é bom em matemática...”
É muito comum ouvir que pessoas bem organizadas ou com facilidade para solucionar problemas lógicos são aquelas que “pensam” com a parte esquerda do cérebro. Em compensação, as pessoas que tendem a usar mais o lado direito são as que possuem mais vocação para a arte e trabalhos que exigem criatividade.
Quem costumava usar isso como desculpa para justificar as notas baixas em matemática agora vai ter que se desculpar. De acordo com a médica e escritora Lisa Collier Cool, esse mito surgiu nos anos de 1800, quando médicos descobriram que danos causados em um lado do cérebro causavam a perda de habilidades específicas. Entretanto, estudos recentes demonstram que os dois hemisférios do cérebro estão mais ligados do que imaginávamos, sendo que tanto a solução de problemas lógicos quanto a realização de trabalhos criativos disparam atividades nos dois lados do órgão humano.
Outro fato que colaborou para o mito foi que o lado esquerdo do cérebro controla o lado direito do corpo, e vice-versa. Apesar de ser verdade, isso não explica o porquê de uma pessoa canhota ser muito criativa ou alguém destro gostar de matemática. Em outras palavras: todos estão aptos a serem habilidosos em ambas as áreas.
2. O cérebro é cinza
Sabe aqueles cérebros acinzentados e dentro de potes que costumamos ver em filmes e seriados de TV? Pois bem, eles existem, mas aquela não é a cor do órgão dentro de nossas cabeças. O cérebro se torna cinza por causa dos produtos químicos usados para a sua conservação, como o formaldeído.
Apesar de a famosa massa cinzenta existir em nosso cérebro, há também a massa branca, as áreas avermelhadas pela presença de vasos sanguíneos e uma região preta, que adquire essa coloração por causa da neuromelanina, pigmento encontrado também na pele e no cabelo humano.
3. Álcool mata as células do cérebro
Calma, antes de começar a beber todas, vamos à ciência por trás disso. E nada como começar com uma ressalva: o álcool pode sim matar células do seu cérebro, mas apenas se tiver 100% de pureza. Como as bebidas legalizadas são vendidas com um teor alcóolico muito abaixo disso, as chances de matar os seus neurônios são muito baixas.
De acordo com estudo realizado em 1993 por Grethe Jensen, em vez de matar as células o álcool danifica as terminações nervosas conhecidas como dendritos. Ou seja, apesar de a célula em si não ser invalidada, a forma como ela se comunica com as outras acaba prejudicada. E, diferentemente das drogas que atuam em regiões específicas do cérebro, o álcool atua no órgão todo, podendo causar um verdadeiro estrago em casos de abuso.
4. Usamos apenas 10% do nosso cérebro
Você já deve ter ouvido falar que o ser humano usa apenas 10% do cérebro, certo? Pois bem, esse é um dos mitos mais populares e mais fáceis de serem quebrados. Para refutá-lo, basta fazer a seguinte pergunta: se isso é verdade, então para que servem os outros 90% do órgão? E a culpa, desta vez, é da televisão, que não raramente é acusada de estar emburrecendo os telespectadores.
De acordo com o site Snopes, especializado em desvendar hoaxes e mitos, essa informação equivocada surgiu em um anúncio de revista, no ano de 1998, que dizia: “Você usa apenas 11% do seu potencial”. Porém, quando a emissora norte-americana ABC resolveu usar a frase em propagandas para a série “The secret lives of men” , ela foi alterada para “Homens usam apenas 10% do cérebro”.
Depois disso, não demorou muito até que especialistas em paranormalidade assumissem que os outros 90% do cérebro guardavam poderes psíquicos adormecidos, que podem ser reativados com o devido treinamento. Até mesmo o famoso Uri Geller, na introdução de um de seus livros, cita o fato.
Mas o fato é que isso não passa de bobagem. Lisa Collier Cool explica que, por meio de tomografias e ressonâncias magnéticas é possível constatar que atividades mentais complexas usam diversas áreas do cérebro e, ao fim do dia, o cérebro todo acabou trabalhando. Outra prova de que usamos muito mais do que os tais 10% é o fato de que uma lesão no cérebro, por menor que seja, pode trazer danos irreparáveis ao seu portador. Seria muito azar machucar justamente a porção funcional do órgão.
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